sexta-feira, 22 de agosto de 2014

31º Capitulo - « Não digas que tudo se vai resolver porque não vai! »

- Rita…tu tens mesmo a certeza que queres ir?
- Tenho.
- Mas…mesmo depois de saberes que a Andrea está a viver em casa dele?
- Gabriela – agarrei as suas mãos – sim, eu sei que não passa de um mal-entendido e eu quero resolver tudo entre nós. Quero voltar a ser a Rita que era com ele e quero voltar a tê-lo perto de mim, eu preciso tanto dele, entendes?
- Tu é que sabes, não sou rapariga de te impedir do que quer que seja e…se é o que queres, vai.
- Podias vir comigo, Gabi.
- Na mala? – perguntou rindo – quando é que voltas?
- Depende.
- Depende, Rita?
- Sim, não tenho bilhete de volta, só de ida. Depende de como as coisas correrem. Mas em princípio devo voltar domingo, não sei é as horas.
- Eu venho-te buscar, depois diz-me qualquer coisa.
- Sim…
A Gabriela chegou perto de mim e abraçou-me. Há tanto tempo que não recebia um abraço daqueles.
- Porta-te bem – disse largando-me. Beijou a minha testa e afastou-se de mim – adoro-te.
- Eu também. – assegurei passando os meus dedos pela sua face. – estás diferente, estás mais bonita. – a seu rosto tinha mudado desde a ultima vez que tinha estado com ela, estava diferente mas mais bonita.
- Não sabes o que dizes – disse com um tom de voz estranho – tens de ir – alertou-me.
- Sim, tenho…mas sinto que me estás a esconder algo…
Via nos olhos dela que havia algo que ela não me estava a contar. Virou a cara para o lado quando acabei de falar, por mais que ela me tentasse esconder o que quer que fosse, não conseguia porque eu a conheço bem.
- Quando eu voltar, nós falamos. Sim? – perguntei esperando que ela olhasse para mim novamente.
- Sim – olhou-me. Estava triste, eu notava-o – vai lá. – chegou novamente junto a mim dando-me agora um beijo na bochecha – estou aqui, sempre que precisares.



- Milanello claro – disse o Manu – onde é que achas que ele está?
- Podia estar em casa…
- Ele já voltou ao ginásio e tem sido lá acompanhado.
- Está bem.
- Rita…?
- Sim.
- Quanto à Andrea…não lhe digas que fui eu que te disse.
- Eu ia acabar por saber de qualquer forma e tenho a certeza que não se passa de um assunto mal resolvido e haverá uma boa explicação para ele não me ter dito nada – tentei convencer-me a mim própria daquilo que dizia.
- Tem calma e paciência com ele, as lesões não têm sido fáceis. Há quase dois meses que ele não joga e ter-te longe não tem ajudado.
- Eu entendo. Vou ligar-lhe e ver se vou ter com ele.
- Faz isso. Beijinho.
- Beijo.
Desliguei a chamada e saí do quarto rumando até à sala. A palavra separação deteve-me no cimo das escadas. O Salvador e a Francesca estavam sentados um em frente ao outro na sala.
- Não sei como lhe contar da separação – o Salvador falava com preocupação na voz – ela é frágil, mesmo que não pareça – prestei mais atenção à conversa tentando perceber de quem falavam - e acho que as coisas com o Stephan não andam muito famosas, tenho medo que ela se vá baixo.
Eu…era de mim que falavam. Os meus pais…seriam os meus pais a separarem-se?
Aquela conversa entre eles não estava a ter sentido nenhum. Comecei a descer as escadas tentando fazer o máximo de barulho possível para que eles me ouvissem.
- Olá – saudei chegando perto deles.
- Rita…olá – disse-me o Salvador levantando-se e colocando-se à minha frente.
- Está tudo bem? – perguntei tentando com que me dissesse algo, não iria ser eu a fazê-lo.
- Sim…claro. Porque não haveria de estar? – estava nervoso e eu notava-o – vais…?
- Vou ter com o Stephan – disse fazendo um movimento em direção à porta.
- Mas…está tudo bem entre vocês? – perguntou agarrando uma das minhas mãos.
- Sim, melhor…se não estão acho que vão ficar – disse-lhe sorrindo – agora…eu vou embora. – disse largando a mão dele – adeus.
- Adeus – disseram os dois de uma forma pouco animada.
Caminhei em direção à porta. A separação seria entre a Francesca e o Salvador? Tinha-a notado tensa a ela e ele nervoso e nada batia certo. Porque não saberia ele como me contar da separação deles?
Fugi desses pensamentos e concentrei-me no que devia. No Stephan.
Saí de casa e fui caminhando pela rua o mais provável era perder-me por aqueles lados mas precisava de pensar, de me concentrar, no que ia fazer em seguida. Ligar ao Stephan pareceu-me sem dúvida o melhor. Demorei algum tempo a encontrar o seu numero, as minhas mãos pareciam não estar coordenadas com tudo o resto e o frio não ajudava.
- Rita… - há muito tempo que já não havia um simples ‘’olá’’ entre nós.
- Stephan – sussurrei com um certo medo do que podia vir a seguir.
- Tenho saudades tuas – disse com uma voz calma e doce.
- Eu também – não era mentira, as saudades eram mesmo sentidas da minha parte – como estás? Onde estás? Com quem estás? – não sei se foram demasiadas perguntas mas precisava de ouvir rapidamente uma resposta a todas elas.
- Calma – riu, tinha saudades daquele riso de verdade – estou bem, estou no centro de treinos e estou sozinho desde manhã – pela primeira vez tive a ligeira sensação que não me dizia a verdade. A voz dele ficou estranha depois daquele ‘’calma’’. Provavelmente mentira-me ao dizer-me que estava bem, como podia estar ele bem não pondo os pés em campo há mais de dois meses? – Ouve amor, tenho que desligar. Preciso de acabar uns exercícios para depois ir para casa.
- Sim, tudo bem – disse compreendendo o seu lado – beijo, eu…amo-te – disse-o sem receio nem dúvidas. Um estranho silêncio invadiu-nos, a sua respiração era intensa, era a única coisa que eu conseguia ouvir.
- Eu…claro que também te amo – o seu tom de voz mudou, passou de uma voz triste a uma voz alegre.


Estava quase na hora de almoço mas a fome era nula. Ainda não tinha arranjado coragem para ir até casa do Stephan, a coragem nunca me tinha faltado, porque é que agora não a tinha?
Sentia-me demasiado perdida e com receio do que pudesse encontrar quando o visse. Podia encontrar um Stephan alegre mas de todo não iria ser assim. Tenho-o andado a sentir demasiado distante, talvez por causa da lesão…ou não.
Percorria as ruas de Milão perdida nos meus pensamentos, não tinha medo de andar sozinha, sentia-me bem e até segura na verdade.
- Olá! Mario Balotelli, mas porque raio apareceste à minha frente?
- Olá. – saudei tentando transmitir algum entusiasmo algo que não sucedeu.
- Já não te via há muito tempo!
- Pois é. – disse-lhe começando a ficar um pouco receosa com o rumo que a conversa pudesse vir a levar.
- Vieste ver o Stephan? – não me apetecia dizer nada por isso apenas assenti com a cabeça – ele estava no centro de treinos com a Alessa. – explicou. E quem é que é a Alessa?
- Alessa? – perguntei confusa.
- Sim, Rita tu sabes quem é a Alessa. Tem estado com o Stephan a fazer a recuperação, está com ele já há um mês. – baixei o meu olhar, mirei um chão por uns segundos.  Ele mentiu-me – é atleta do Milan a miúda, tu sabes quem é.
- Claro… - voltei a olhá-lo – a Alessa…


Bati à porta duas vezes, sabia que era o suficiente para ele ouvir.
Não podia estar mais irritada mais revoltada com isto tudo. Sentia-me completamente enganada e traída. Além de ter a Andrea a viver lá em casa com o filho, agora havia uma Alessa vinda não sei de onde.
A porta abriu-se e olhei-o com uma enorme vontade de falar tudo de uma vez. Vi o espanto estampado na sua cara.
- Rita…tu estás aqui? – deu uns passos em frente aproximando-se de mim, a sua intenção era beijar-me mas não permiti que o fizesse, afastei a minha cara da dele e olhou-me confuso – o que é que…?
Continuei a olhá-lo com desprezo, algo que ele notou. Perante isso agarrou o meu braço sem exercer muita força e puxou-me para dentro de casa fechando a porta a seguir.
- O que é que se passa? – perguntou olhando-me sério.
- Ainda perguntas? – olhou-me confuso, achava que talvez eu não fosse descobrir – sabes como é que sou Stephan e não penso andar aqui com rodeios. Porque é que me mentiste?
- Menti?
- Mentiste! Disseste que estavas sozinho desde manhã e pelos vistos estavas com uma tal de Alessa que eu nunca ouvi falar. Depois tens a Andrea e o miúdo cá em casa e não te dignaste a dizer-me, era o mínimo Stephan…nós já andamos estranhos estas coisas só vêm fazer pior. Explica-me! Por favor! Diz-me porque é que me mentiste!
O silêncio surgiu, ele olhava-me e não dizia uma única palavra.
- A Alessa percebe-me! – atirou sem que eu contasse com isso – ela também está lesionada! Ela sabe o que eu estou a passar, ela sabe o que é este sofrimento de não podermos fazer o que mais amamos, ela dá-me apoio! – tinha elevado a sua voz e podia ver a sua cara triste.
- E eu não percebo? – perguntei elevando também o meu tom de voz – Sim, tens razão. Provavelmente, eu não percebo mas sabes que mais? Eu dava tudo para ser eu a estar no teu lugar, não me importava de até ficar meses numa cama de hospital, desde que tu estivesses bem…eu também estaria. Dói! Dói saber que tu estás mal, que não estás a fazer o que mais amas por causa de uma maldita lesão mas dói mais ainda saber que me mentiste, isto assim não dá – dei umas pequenas voltas na sala, estava inquieta – como é que podemos ter uma relação se tu não confias em mim? Se confiasses em mim…tinhas-me dito.
- Quem és tu para falar de confiança? – fez com que eu parasse e agarrou-me um dos pulsos – diz-me! Quem és tu para falar de confiança quando tens um espanhol qualquer a viver em tua casa há dois meses! – olhou-me como repreendendo-me, senti-me pequenina naquele momento. Largou-me o pulso de seguida.
Tudo se estava a desmoronar, sentia-me a morrer lentamente. Começava a ficar sem forças e dei uns passos em direção ao sofá colocando ali a mão.
Um choro de um bebé fez-se ouvir e depressa percebi que vinha do andar de cima.
- E ela? – perguntei com a voz mais calma.
- Ela apenas precisava de um teto! – disse exaltado – e foi o que fiz e tu não tens nada a ver com isso! A vida é minha, a casa é minha e eu ponho cá dentro quem eu quiser tal e qual como fizeste com o espanhol!
- Não fui eu que o meti lá em casa! A minha tia acolheu-o porque ele está cá a estudar.
- E porque não me contaste?
- Para evitar reações como estas! E como é que sabes?
- A tua tia não sabia que me tinha que esconder a estadia do espanhol lá em casa.
- Tal como o teu irmão não sabia que devia esconder a estadia da Andrea cá nem o Balotelli sabia que eu desconhecia a Andrea! – atirei num tom irónico – o que é que ela tem a mais que eu? Espera…eu sei. Ela dá-te sexo!
Tinha-me descontrolado, não media as palavras nem o tom em que as dizia. O choro do bebé tinha-se intensificado.
- Quem me garante que o teu amigo não te dá o mesmo?
- Tu estás a admitir Stephan! Tu estás a admitir que te enfiaste na cama com ela! Sim, claro o nosso amor é muito forte e dizer amo-te é muito bonito mas sabes? É preciso senti-lo! – estava completamente fora de mim, levei a minha mão, que tremia, à pulseira de pérolas que ele me tinha oferecido há uma semana – sabes uma coisa? – retirei a pulseira e ofereci-lha mas ele continuou como estava nem a mão esticou – fica com ela, dá-lhe uso! Oferece-a à tua amiga.
Olhou-me com desprezo, pegou na pulseira e atirou-a ao chão de uma forma violente e por momentos tive medo do que do que pudesse ele fazer a seguir. Foi em direção à porta e saiu batendo-a com uma força elevada.
Não podia acreditar que tudo tinha acabado, as palavras tinham sido ruins e tinham doido como tudo. Não havia volta a dar.
O choro do bebé tinha parado. O silêncio invadia aquela casa. Sentei-me no sofá ainda com as mãos a tremerem-me.
A cabeça doía-me, as lágrimas corriam-me pela face e a dúvida pairava sobre mim, teria ele me traído?
Olhei à minha volta, aquela casa trazia-me boas recordações. E agora também más, esta discussão iria ficar na minha memória por muito tempo.
O choro do bebé voltou a aparecer, desta vez ainda mais intenso. Senti alguém a descer as escadas apressadamente e olhei vendo a Andrea. Agora não me parecia tão arrogante como da primeira vez. Olhou para mim quando chegou ao andar de baixo e seguiu até à cozinha.
Limpei as minhas lágrimas e silenciosamente fui até ao andar de cima. O bebé continuava a chorar e sentia-me na obrigação de ir até lá. Percorri o corredor até ao quarto de hóspedes, era de lá que vinha o choro.
Vagarosamente fui até à cama onde ele estava deitado. Sentei-me junto a ele e comecei por fazer umas breves caricias na sua face.
- Olá – disse com uma voz doce tentando com que ele se acalmasse. Milagrosamente ele parou de chorar, não percebi como nem porquê mas aquela pequena pérola deixou de chorar – como te chamas tu? Rita! És mesmo estúpida o miúdo nem fala. – reparei num babete que estava em cima da cama e peguei nele, dizia: Matteotens um nome tão lindo! – levantei-me da cama e coloquei-me de joelhos no chão ficando assim ao seu nível – e és muito bonito – e só de pensar que ele podia ser filho do Stephan…
- Olá – a Andrea estava encostada à porta a mirar-me. Tinha um sorriso na cara e um biberon na mão. Deu uns passos na nossa direção e eu levantei-me um pouco embaraçada. Ela sentou-se na cama e pegou na criança. – conheceste a Rita, foi? – disse numa voz doce. Ela sabia o meu nome. Sentei-me na cama e olhei-os. – queres dar-lhe? – perguntou referindo-se ao biberon.
Não lhe respondi apenas abri os braços para receber o Matteo. As crianças acalmavam-me, tinha conseguido passar de um estado lamentável a um estado completamente espetacular, sentia-me tão bem.
Com cuidado fui dando-lhe o biberon, os olhos dele estavam fixos nos meus o que me deslumbrou por completo.
- Ouve – a Andrea começou a falar e percebi que vinha uma conversa longa – desculpa se fui arrogante quando nos conhecemos. Eu não queria de tudo que isto…vos afetasse. Tens tempo?
- Sim – assegurei – não quero ficar muito tempo nesta casa mas estou aqui para ouvir o que me quiseres contar.
- Vou ser rápida. Nunca tive sexo com o Stephan em toda a minha vida mas estive presente quando uma amiga minha o engatou e conseguiu levá-lo para a cama – custava-me bastante ouvir tais palavras – engravidei na mesma noite e o pai, esse nem me lembro quem é. Fui muito cabra, eu admito, ao usar o Stephan para tentar arranjar uma vida melhor mas não deu em nada, ele não é burro nenhum e sabe bem que entre nós nunca aconteceu nada. O que te estou a contar agora já é do conhecimento do Stephan e eu estou aqui em casa com o Matteo porque apenas lhe pedi duas semanas para contar aos meus pais e voltar para casa deles. – ouvi com atenção tudo o que ela disse. Ela tinha sido sincera comigo… - e desculpa se vos causei problemas.
- Está tudo bem – assegurei – se não está…acho que vai ficar.
Entreguei-lhe o Matteo que já tinha acabado o biberon. Agradeci-lhe por me ter dado a oportunidade de lhe dar o biberon e saí do quarto.
Andei uns passos para a frente chegando até ao quarto do Stephan, sentia-me mal por estar a entrar no quarto dele assim…sem permissão. Mirei as suas coisas, a roupa desajeitada por cima da mesma cadeira de sempre e…havia algo novo. Era uma foto nossa, estava emoldurada e estava tão bonita. Tinha sido tirada nos meus anos quando ele tinha ido a Portugal. Uma lágrima escorregou-me pelo rosto. Como podia tudo acabar assim?


Quando cheguei a casa do Salvador fui direta para o quarto, precisava de ficar sozinha mas por agora esse meu desejo não iria ser realizado. O Salvador entrou no quarto despertando-me.
- O que se passa?
- Não quero falar sobre isso. – disse firme.  
- Pode não ser sobre isso mas vamos ter que falar à mesma.
- O que é que se passa? E podes ir bem direto ao assunto.
- Os pais vão-se separar – atirou de rajada.
- Porquê? – perguntei perplexa. Como se reage a uma noticia destas?
- Rita…eu não sei.
- Não sabes…muito bem! – senti-me a descontrolar outra vez, a vontade de chorar voltou e a de desaparecer também  - mas sabes que eles se vão separar desde quando?
- A mãe falou-me nisso há três semanas.
- O quê? – eu não podia acreditar – três semanas? – perguntei estupefacta – mas…porra! Porque é que toda a gente me esconde as coisas? – tudo se tinha descontrolado. As palavras, as lágrimas e até a minha respiração.
O Salvador chegou perto de mim e abraçou-me, senti aquele abraço de irmão, aquele aconchego de amigo mas não era suficiente…não para a tamanha dor que estava a sentir.
- Calma – sussurrou-me – tudo se vai resolver.
- Não! – larguei-me dele – não vai! Porque é que estás a dizer isso Salvador? Não há volta a dar! Eu e o Stephan acabámos passado um ano de namoro, os pais vão-se separar e…a minha melhor amiga ficou estranha de um momento para o outro. Não digas que tudo se vai resolver porque não vai! – gritei gastando as minhas forças todas.
Em passo lento e com um choro compulsivo avancei em direção à cama. Sentei-me tentando recuperar forças. A minha cabeça latejava sentia-me completamente estafada.
Deitei-me na cama sob o olhar atento do Salvador. Ele veio até mim, sentou-se e passou suavemente a sua mão pelo meu cabelo. O cansaço ia apoderando-se de mim a cada segundo que passava.
- Eu estou aqui – foi a última coisa que ouvi da boca do Salvador.


Acordei cheia de dores de cabeça e confusa sem perceber à primeira vista onde me encontrava. Tinha um bilhete ao meu lado, era a letra do Salvador.

Consegui bilhete para Portugal amanhã de manhã.
Come alguma coisa, precisas de te alimentar.
Adoro-te pequena

Salvador

Não tinha vontade alguma de comer, parecia que tinha um nó no estomago. Levantei-me devagar e fui até ao andar debaixo, coloquei água a aquecer, precisava de um chá para conseguir enfrentar o resto do dia.


Consegui ver a Gabriela ao longe e comecei a correr na sua direção, precisava de senti-la, precisava tanto dela.
- Meu amor – sussurrou quando me abracei a ela. Não contive as lágrimas mais uma vez. Tentei-me controlar mas era mais forte do que eu. – chorar faz bem – sussurrou mais uma vez – desde que não faças aqui um rio no aeroporto – brincou fazendo com que um sorriso aparecesse no meu rosto.
Entrelaçou a sua mão com a minha e caminhámos as duas em direção ao parque de estacionamento. O silêncio era total e quando entramos no seu carro decidi quebrá-lo.
- Gabriela…eu e o Stephan acabámos.
- Acabaram? – perguntou admirada mas ao mesmo tempo preocupada.
- Sim a palavra não foi explícita mas no fim da feia discussão que tivemos tenho a certeza que o namoro acabou. E… - tentei arranjar coragem – os meus pais vão-se separar.
- Oh – quando teve aquela reação percebi que ela já sabia – eu lamento, por tudo Rita.
- Preciso tanto de ti, Gabriela.
- E eu estou aqui – colocou a sua mão sobre a minha – sempre, eu estarei aqui sempre para tudo o que precisares, ouviste?
- Obrigada – deixei escapar mais umas lágrimas – obrigada por seres…essa pessoa maravilhosa. Obrigada por me dares apoio desde sempre e por me dares também esse amor incondicional, sem ti…eu não estava aqui agora.
- Não digas asneiras – passou os seus dedos pela minha face numa caricia – promete-me apenas que te vais tentar divertir neste resto de domingo.
- Eu prometo que vou tentar – assegurei.
- Vamos lá conhecer os Portuenses cá da zona – disse levando-me a rir.
Esta sim era a minha Gabriela, presente e animada. Não estava distante, agora sim eu reconhecia a minha melhor amiga.




Os seus dedos finos percorriam-me o pescoço as suas mãos desceram até ao meu peito e senti o esquecimento a apoderar-se de mim. A sua voz rouca sussurrou-me ao ouvido:
- És tão perfeita.
As suas mãos deixaram o meu peito livre agarrando depois as minhas nádegas de uma forma firme e algo violenta. Os seus lábios apoderaram-se do meu pescoço e senti todo aquele fogo e desejo que já não sentia há tanto.
- Tinha-me esquecido do quanto perfeita és – sussurrou mais uma vez, em seguida mordeu-me o pescoço deixando depois um rasto e saliva por todo ele.
Levei as minhas mãos às suas costas também eu me tinha esquecido de como elas eram. Entrei com as minhas mãos no interior da sua camisola ficando em contacto com a sua pele e usei as minhas unhas como forma de resistir àquele desejo maldito.
- Não! – afastou-se de mim deixando-me confusa – não posso! Nós não podemos Rita.
- Porquê? – perguntei confusa.
- O teu irmão…o teu namorado.
- Ex-namorado – corrigi.
- Mesmo assim…
- Rafael – aproximei-me novamente dele e fiz com que as suas mãos voltassem a cair sobre o meu rabo – ouve – sussurrei-lhe ao ouvido de uma forma sensual – não há nada que nos impeça, somos livres, somos descomprometidos e nada mas mesmo nada nos impede de sermos um do outro e de fazer desta noite a mais perfeita de sempre.
- O teu irmão…
- Não, o meu irmão não tem nada a ver connosco. Eu já não tenho dezasseis anos, tenho dezoito e tenho plena consciência do que posso e quero fazer.
Fez alguma pressão sobre as minhas nádegas levando-me a subir para o seu colo, atacou os meus lábios fazendo assim com que o desejasse de uma forma louca. Ainda assim sentia-o tenso.
- Rafa…deixa-te levar e relaxa – sussurrei mordendo-lhe depois o lábio inferior.



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Olá, olá, OLÁ!!!
1 ano, 1 ano, 1 ANO!!!
Tenho muito a dizer, por isso vou enumerar.

1) Um ano, já passou um ano e eu mal acredito. Parece que foi ontem mas não foi há um ano! Um ano de muita escrita, momentos bons e momentos maus e aqui estou eu, um ano depois!

2) Estes últimos dois/três capítulos (28º, 29º, 30º) foram um completo desastre e eu tenho noção disso! Não fiquei, de todo, contente com eles mas espero que este capítulo vos tenha deixado contente.

3) E um ano depois há: 31 capítulos publicados, 146 comentários e mais de 7 500 visualizações (são as melhores leitoras do mundo!).

4) Não sou muito boa com palavras, por vezes não sei bem o que dizer mas sinto-me lisonjeada por ao longo deste ano ter recebido o vosso carinho, o vosso apoio e especialmente por me lerem.

5) Um grande obrigada a ti, Ana Patrícia Moreira, por todas as dicas, apoio, motivação e por estares sempre presente quando preciso. Se não fosses tu esta história (e as outras duas) não existiam.

6) E por último quero mais uma vez agradecer-vos a vocês, é tão bom ler os vossos comentários e saber que estão aí desse lado, posso enumerar algumas de vocês que comentaram ao longo deste ano e me deixaram com sorrisos na cara: Catarina, Sílvia, Ana Patrícia, Joana, Ana, Cátia, Sofia, Rita, Lari, anónimas bonitas a vocês OBRIGADA.

Agora, gostava muito que me dessem as vossas opiniões sobre do capítulo e da história em si. Peço-vos por favor um comentário por mais pequeno que seja. Gostava mesmo de ler os vossos comentários. O que acham do novo fundo? (não tenho muito jeito mas foi o melhor que arranjei)


1 ano!!! (ainda não estou em mim)

Parabéns a I Will Wait For You 



Obrigada por tudo mais uma vez,
Beijinhos,


Mahina 


PS: Um pedido: espreitem por favor Be my forever - capitulo 3. Os vossos comentários são preciosos e eu preciso de opiniões. 

4 comentários:

  1. Olá

    Adorei o novo visual :D A Rita tem de se entender com ele , eles não podem acabar ...



    Próximo


    Beijinhos


    Catarina

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  2. Olá!!!
    Quem disse que os últimos capítulos foram um desastre? Sou totalmente contra essa ideia, está sendo bom esse novo rumo que a fic está tomando, desde o começo que me apaixonei pela história, ela está na lista das mais fantásticas pelo contexto, não importa o tempo que demoras para postar porque sei que sempre sairá perfeito o capítulo... O casal Rita e Ste sempre terão um lugarzinho no meu coração, amo quando eles estão juntos e espero que essa possível separação dure pouco, porque o meu coração não aguenta!
    Para variar o capítulo está maravilhoso com sempre! Com esse capítulo a raiva que sinto da Andrea passou mas espero que não me arrependa depois. Agora eu acho que não precisavam brigar só porque eles esconderam algumas coisas, nada se resolve desse jeito mas sim com uma boa conversa, mas se você fez assim é porque é necessário para algo... ;)
    E que história é essa da Rita com Rafael no final? Espero que não dê em nada, o lugar dela é ao lado do Ste, isso sim!

    Amei o novo visual do blog, bem romântico... E nem venhas dizer que não tens jeito, porque o isso diz o oposto :D Espero ansiosamente o próximo.
    E parabéns pelo um ano, mereces tudo isso e muito mais pelos momentos de alegria e também de tristeza (como agora) que nos dá!
    Beijinhos!!!
    Lari Lima

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  3. Olá :)
    Desculpa a demora em comentar, mas com o trabalho é complicado :/...mas estou de volta :D
    1 ano já?...Jasus!...parece que foi ontem que comecei a ler o primeiro capitulo desta história que a Ana Patrícia me deu a conhecer :)
    Não precisas de agradecer porque eu leio esta fic com muito gosto e nada de dizer que os três capítulos anteriores estavam maus...bem!...aí aí :P
    Em relação ao capitulo...que tsunami :O...separações, discussões e esta parte final!...deixou-me super curiosa :D
    Próximooooooooooo sff bjs

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  4. Objectivo: que isto tenha um principio, meio e fim.

    Olá olá coração!
    Comentar aqui é coisa que eu já não faço à séculos :o meu Deus que vergonha. Mas tu recebes todos os meus comentários sempre, né? Mensagens e mensagens, trocas e trocas de palavras que são os meus comentários. Obviamente que tenho de vir cá deixar a minha marca nos capitulos.
    Esta é a primeira parte do comentário (há mais duas: uma para Boundi e outra para a Be) *o*

    I Will...um ano, hã? Um ano com 31 capítulos todos especiais, todos com algo de surpreendente, todos com amor, todos com uma escrita...sem palavras. Desde o inicio (quando me mostraste o primeiro capy da I WIll) que eu reparei na tua forma de escrever tão peculiar. Escreves os sentimentos com um dom perfeito. Os sentimentos saem cá para fora, para quem lê.
    Se te disse para avançares e publicares tudo...é porque via o potencial e o amor que dás a cada uma das tuas fics. Elas dão-me vida, dão-me amor, um pedaço de raiva por estar sempre a querer mais e mais e mais (tenho de começar a controlar-me). Com I Will eu já ri, gargalhei bem alto. Já chorei (sobretudo em cenas de sexo *o* ), choro e sei que irei continuar a chorar. Estes últimos capítulos têm uma carga emocional gigante, arrepiam-me toda e olha...sei perfeitamente que o que tens programado me irá surpreender. Aliás, surpreende sempre. Quer eu saiba o que se vai passar, que não.

    Posso pedir mais um ano, dois, os que vierem. Sei que até ao fim da I Will será apenas e só amor que entregarás a ela e que nos darás a nós. Eu é que te tenho de agradecer por seguires o meu "conselho" de publicar e continuar a escrever. Sou responsável por isto? Ao menos sou responsável pela divulgação das melhores fics que estão publicadas neste mundo!

    Agora, continua a ler o comentário no blog da Boundi.

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